sábado, 21 de novembro de 2009

Seringa implantável libera medicamentos sem dor

Muitas condições médicas, como câncer, diabetes e dores crônicas, exigem medicamentos que não podem ser tomados oralmente. As doses devem ser intermitentes ou numa base "conforme necessário," sempre durante um longo período de tempo.




Já foram desenvolvidas várias técnicas para aplicações das chamadas drogas inteligentes - um processo chamado drug delivery, ou aplicação personalizada de medicamentos, numa tradução livre. Essas técnicas incluem fontes de calor ou de luz externas, chips eletrônicos implantados e outros estímulos que funcionam como uma chave liga-desliga para a liberação dos medicamentos no corpo.



Contudo, nenhuma dessas técnicas consegue fazer tudo o que se espera de uma forma de aplicação de medicamentos realmente inteligente: abrir e fechar repetidamente a dosagem do medicamento e liberar sempre dosagens precisas, conforme a necessidade do paciente.



Nanotecnologia e magnetismo



Agora, mesclando nanotecnologia e magnetismo, a equipe do Dr. Daniel Kohane, do Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos, encontrou a solução mais promissora até o momento para o conceito de "entrega de medicamentos."



O medicamento é misturado a nanopartículas magnéticas, feitas de óxido de ferro, e colocadas no interior de uma espécie de cápsula fabricada com uma membrana especial. A cápsula, por sua vez, é inserida no interior de um pequeno dispositivo biocompatível implantável, que mede menos de 1 centímetro de diâmetro. O dispositivo é passivo, sem necessidade de nenhum componente eletrônico.



Um campo magnético aplicado externamente aquece as nanopartículas magnéticas, distendendo a superfície da membrana da cápsula. Essa distensão abre poros temporários na membrana que permitem que o medicamento saia da cápsula e atinja o organismo. Quando o campo magnético é desligado, a membrana se resfria e fecha os poros, interrompendo a liberação do medicamento.



Seringa implantável



A dose liberada pode ser controlada precisamente pela duração da ativação do campo magnético. A quantidade de medicamento liberada manteve-se constante ao longo de múltiplos ciclos de funcionamento.



O dispositivo mostrou-se totalmente biocompatível nos testes em cobaias, sem toxicidade para as células e sem qualquer rejeição pelo sistema imunológico, mantendo-se totalmente funcional por 45 dias no organismo dos animais.



As membranas são ativadas por temperaturas superiores às temperaturas apresentadas pelo organismo, não sendo afetado mesmo por estados de febre alta ou inflamação local.



O próximo passo da pesquisa será obter as autorizações necessárias para os testes em humanos.


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Diálogos entre Nanotecnologias, Direito Ambiental e Direitos Humanos

Caros amigos, colegas, professores e participantes do blog:

dando continuidade ao trabalho desenvolvido na semana passada, penso que seja oportuno trazer uma notícia do Jornal Estadão denominada de "Estudo chinês documenta mortes por nanotecnologia". Segue transcrita: 


"Sete mulheres ficaram doentes, e duas morreram, depois de inalar partículas de 30 nanômetros"

HONG KONG - Sete jovens chinesas sofreram danos permanentes aos pulmões e duas delas morreram depois de trabalhar durante meses, sem proteção, numa fábrica que tintas que usava nanopartículas, informam cientistas chineses. Eles afirma que o seu estudo é o primeiro a documentar malefícios causados por nanotecnologia na saúde humana. Testes com animais já haviam mostrado o risco das nanopartículas para os pulmões de ratos.

Ainda não encontrei mais detalhes sobre o acontecimento. Devemos, é claro, para poder afirmar categoricamente o acontecimento, detectar as possíveis causas das mortes.

Porém, trago a notícia a título ilustrativo dos possíveis riscos, consolidando, assim, o que temos defendido através do princípio da precaução. Tenho o objetivo, nos próximos ensaios, de trazer à baila temas como a sociedade de risco (com embasamento teórico de Ulrich Beck e Anthony Giddens) e também algumas considerações sobre os princípios, mormente esse viés ambiental do princípio da precaução.
Voltando, ainda sobre os riscos, acredito ser interessante as considerações seguintes sobre o acontecimento da China:

"Esses casos trazem a preocupação de que exposição prolongada às nanopartículas, sem medidas de proteção, possa estar relacionada a danos graves aos pulmões humanos", escreveu Yuguo Song, do departamento de medicina ocupacional e toxicologia clínica do Hospital Chaoyang de Pequim, em artigo publicado no European Respiratory Journal.

Mas um especialista do governo americano afirmou que o estudo é mais uma demonstração de perigos ocupacionais do que evidência de que nanopartículas seriam mais perigosas que outros produtos usados na atividade industrial.

A nanotecnologia é uma indústria importante. Um nanômetro é um bilionésimo de um metro, e nanopartículas medem de 1 a 100 nanômetros.

Essa tecnologia é usada em produtos como artigos esportivos, pneus, cosméticos e revestimentos. Estima-se que esse mercado movimentará US$ 1 trilhão até 2015.
"O diâmetro diminuto significa que podem penetrar as barreiras naturais do corpo, particularmente por contato com pele machucada ou por inalação ou ingestão", escreveram Song e colegas.
Eles disseram que as sete mulheres trabalharam de cinco a 13 meses na fábrica, jateando tinta em placas de poliestireno antes de começarem a apresentar dificuldades respiratórias e marcas vermelhas no rosto e nos braços.
Elas inalaram fumaça e vapores que continham nanopartículas enquanto trabalhavam na fábrica, disse Song.
Segundo o artigo, médicos encontraram um excesso de fluido nas cavidades em torno dos pulmões e do coração das mulheres. O tecido dos pulmões continha nanopartículas de cerca de 30 nanômetros de diâmetro - o que bate com o material que autoridades sanitárias encontraram na fábrica.
Duas das mulheres morreram depois de dois anos trabalhando na fábrica, e as outras cinco não apresentaram melhora, embora não lidem mais com nanopartículas. É impossível remover esses materiais uma vez que tenham penetrado nas células pulmonares, disse Song.Allen Chan, um patologista da Universidade Chinesa de Hong Kong, que não tomou parte no estudo, disse que o resultado é significativo, e que demonstra que os trabalhadores precisam de proteção ao lidar com nanotecnologia.
Clayton Teague, que chefia o Gabinete Nacional de Coordenação de nanotecnologia dos Estados Unidos, destacou que as mulheres afetadas trabalhavam com uma pasta que continha nanopartículas numa sala pequena, sem ventilação, e só usavam máscaras de proteção ocasionalmente. "Pelo que sabemos, essa tragédia poderia ter sido evitada com técnicas adequadas de higiene industrial".



Ainda não conseguimos maiores detalhes sobre o ocorrido. Precisamos de alguns estudos técnicos a respeito do tema.

Deixo, assim, aberto - pedindo a colaboração de vocês na busca de esforços intensivos e transdiciplinares para o preenchimento das lacunas, seguindo abaixo o email para contato.

Agradeço pelo carinho e atenção de todos.


André Stringhi Flores

Grupo Jusnano

Membro do Grupo Jusnano. Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UNISINOS.


Email para sugetões e críticas: sf_andre@Hotmail.com

Líder do Grupo participa de Semana Acadêmica na Universidade Federal de Santa Maria

Prof. Dr. Wilson Engelmann irá as 19h proferir a palestra denominada: "As nanotecnologias e os Direitos Humanos: em busca de marcos regulatórios", levando o tema do projeto de pesquisa aos estudantes da academia.

Gostaríamos, desde já, agradecer ao convite e a oportunidade de falar a respeito do tema, levando as nanotecnologias a conhecimento de todos, em busca de esforços intensivos e transdiciplinares para o preenchimento das lacunas existentes.

Um forte abraço aos participantes do blog. Contamos com a presença de todos.

Grupo JUSNANO

André Stringhi Flores

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Diálogos entre Nanotecnologias, Direito Ambiental e Direitos Humanos

Prezados colegas, pesquisadores e demais participantes do blog:

Já há algum tempo que o Grupo Jusnano vem pesquisando e analisando as nanotecnologias sob a égide jurídica.

Buscamos, nesse período de tempo, investigar as nanotecnologias, desde seu conceito, passando por suas áreas de aplicação, chegando nos riscos ou possíveis riscos que essa nova tecnologia - manipulação de átomos e moléculas em escala nanométrica - poderá causar em relaçao ao meio ambiente e ao ser humano.

Tenho o objetivo de semanalmente publicar um breve texto sobre nanotecnologias, riscos, áreas de aplicação, Direitos Humanos e Direito ambiental na proposta de tentar fazer um dialógo entre essas áreas do conhecimento.

Nessa semana utilizo alguns trechos dos artigos já publicados no blog e também em revistas especializadas de Direito Ambiental e Congressos que já nos fora oportunizado a fala. Gostaria de abrir um parênteses e agradecer a todos que vem contribuindo para o Grupo, concretizando a união de esforços intensivos e transdiciplinares. Em especial àqueles que me oportunizaram alguns minutos de fala em seus eventos e publicaram alguns dos meus ensaios sobre a temática.

Deve-se, aqui, ressaltar que o Grupo está preocupado com o desenvolvimento das nanotecnologias no país. Essa nova tecnologia que está sendo criada é realmente o "fascínio da criatividade".

Ela possibilitará avanços, até então, nunca imaginados.

Podemos dizer (utilizando o breve anúncio deste site oportunizado pelo professor Marcos Catalan em seu  blog) que essa realidade complexa e contingente do século XXI encaminha a sociedade a um futuro nunca imaginado. Nanorreatores que reforçam o metabolismo das células, biochips que detectam células cancerosas entre um bilhão de células sadias e a superação da microeletrônica de ultra-alta compactação correspondem a uma nova tecnologia criada pelo ser humano – a nanotecnologia. A manipulação de átomos e moléculas em escala nanométrica surge como uma ciência transdiciplinar da sociedade globalizada, prospectando avanços na criação de novos produtos e no aperfeiçoamento de produtos já existentes no mercado. Há quem diga que essa nova/nano tecnologia irá possibilitar a cura de doenças até então não imaginadas como a AIDS e o próprio Câncer.



Em dados quantitativos, conforme notícia publicada no Estado de São Paulo: no ano passado, foram vendidos, em todo o mundo, US$ 30 bilhões em produtos que incorporam nanotecnologia, segundo a empresa de pesquisas Lux Research. Em 2014, o montante deve alcançar US$ 2,6 trilhões, o equivalente a 15% de todos os produtos manufaturados que serão comercializados no mundo.

Ademais, estimativa realizada pela Revista National Science Foundation revela que num lapso temporal compreendido entre 10 (dez) e 20 (vinte) anos, significativa parte da produção industrial relativa à saúde e ao meio ambiente será alterada por esta nova tecnologia. Isso porque ao realizarem-se manipulações atômicas e moléculas individuais, a nanotecnologia permitirá maior controle sobre a tecnologia atual, admitindo, inclusive, controlar a poluição, a destruição ambiental e a reciclagem de tudo que se possa imaginar.

Em um futuro não muito distante, a nanotecnologia poderá ser o instrumento ideal para a criação de medicações que serão os modelos perfeitos dos próprios processos das doenças. Segundo  Lampton (uma ótima indicação de bibliografia básica para o tema LAMPTON, Christopher. Divertindo-se com nanotecnologia. Rio de Janeiro: Berkeley, 1994, p. 72) “uma nanomáquina de combater às doenças, com objetivos múltiplos, poderia assumir a forma de uma miniatura de um submarino que navegaria pela corrente sanguínea”.

De banda outra, ao lado das “pontencialidades” desta nova tecnologia do século XXI, surge, também, a necessidade de avaliação e “inclusão de esforços intensivos e transdisciplinares para preencher as lacunas de informações existentes a despeito do comportamento de nanomateriais” . A inexistência/incipiência de estudos sobre a aplicação das nanotecnologias com o ar, com a água e com o solo, demonstra a possibilidade de riscos ambientais e também riscos em relação aos seres humanos. Dentro da incipiência dos estudos , testes com animais contabilizaram os seguintes danos: a) cerebrais ; b) suscetibilidade à coagulação do sangue ; c) danos pulmonares ; d) consequências graves nas formações de embriões ; e e) danos ao fígado, conforme dados retirados do livro: GRUPO ETC. Nanotecnologia: os riscos da tecnologia do futuro: saiba sobre produtos invisíveis que já estão no nosso dia-a-dia e o seu impacto na alimentação e na agricultura. Tradução de José F. Pedrozo e Flávio Borghetti. Porto Alegre: L&PM, 2005, p. 22.

Assim sendo, nessas breves considerações introdutórias, marco a tentativa de revelar, semanalmente, alguns de nossos estudos.

Segue, à título de reflexão, dois questionamentos que se pretende analisar nas próximas publicações: como ficarão os Direitos Humanos frente a esses avanços ? Há necessidade de regulamentação jurídica com emprego de nanotecnologias?

Em breve trarei uma nova postagem.

Agradeço pela atenção de todos,



André Stringhi Flores

Membro do Grupo Jusnano. Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UNISINOS.

Email para sugetões e críticas: sf_andre@Hotmail.com





Interessante

Força mecânica induz diferenciação de célula-tronco embrionária


Um pequeno "empurrãozinho" pode ser tudo o que uma célula-tronco embrionária precisa para diferenciar-se em um tipo específicos de célula.A descoberta, feita por cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, terá aplicações na clonagem terapêutica e na medicina regenerativa."Nossos resultados sugerem que pequenas forças mecânicas podem de fato desempenhar um papel crítico na direção específica da diferenciação," afirma Ning Wang, um dos autores da pesquisa que será publicado no próximo exemplar da revista Nature.



Expressão genética à força

A "maciez" física é uma propriedade intrínseca das células-tronco embrionárias que determina como elas respondem às forças em seu microambiente físico. Os cientistas já sabiam que as forças mecânicas externas determinam como as células-tronco se ligam a uma superfície e como elas se espalham sobre a superfície. O que eles não sabiam é que a força mecânica externa também influencia como genes específicos são expressados, determinando a rota que a célula-tronco seguirá, diferenciando-se em um tipo específico de célula.



Sensibilidade celular


Para estudar a sensibilidade celular à força mecânica, Wang e seus colegas primeiro colaram uma gota magnética, com cerca de 4 micrômetros de diâmetro, na superfície de uma célula-tronco embrionária viva.



Um campo magnético oscilante, aplicado externamente, portanto sem nenhum contato direto com a célula ou com a gota magnética, fez com que a dupla oscilasse numa e noutra direção.



A natureza cíclica da força mecânica é muito importante no experimento. Segundo Wang, a oscilação simula as forças naturais que atuam no interior de uma célula viva, como o movimento cíclico da miosina, uma espécie de motor de proteína.Os pesquisadores descobriram que as células-tronco embrionárias são mais flexíveis e muito mais sensíveis às forças cíclicas que as células mais maduras, já diferenciadas.



Os pesquisadores obtiveram os mesmos resultados quando aplicaram as forças cíclicas a células musculares humanas. As células-tronco embrionárias utilizadas no experimento foram colhidas de embriões de ratos. Eles não fizeram experiências com células-tronco embrionárias humanas.



Expressão genética seletiva



Para estudar os efeitos de longo prazo da aplicação das forças mecânicas, os pesquisadores utilizaram corantes fluorescentes verdes, que permitiram acompanhar a expressão de genes específicos que, em última instância, determinam o caminho de desenvolvimento da célula-tronco, ou seja, em que tipo de célula ela se diferenciará.

"Se nossas descobertas puderem ser estendidas para embriões animais em seus primeiros estágios, poderemos ter uma nova forma de diferenciar localmente uma única célula de uma determinada linhagem, deixando todas as demais intactas," explica Wang.


domingo, 8 de novembro de 2009

Os Direitos Humanos e as Nanotecnologias: em busca de marcos regulatórios

O prof. Wilson Engelmann, coordenador do grupo de pesquisa JUSNANO, publicou na revista IHU Ideias o trabalho "Os Direitos Humanos e as Nanotecnologias: em busca de marcos regulatórios", a qual teve seus exemplares esgotados.

As nanotecnologias e o princípio fundamental da precaução




Artigo apresentando na Unversidade Federal de Santa Catarina.

Publicado em IV Simpósio Dano Ambiental na Sociedade de Risco e II Encontro Nacional de Grupos de Pesquisa em Direito Ambiental, 2009, Florianópolis. Anais do IV Simpósio Dano Ambiental na Sociedade de Risco e II Encontro Nacional de Grupos de Pesquisa em Direito Ambiental.. Florianópolis : UFSC, 2009. v. 1. p. 163-177.

Autores: Wilson Engelmann, André S. Flores e André W.